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RGPD·9 min de leitura·

WhatsApp para clínicas: o que o RGPD permite e como automatizar sem asneiras

Quase todas as clínicas em Portugal já falam com os pacientes por WhatsApp. A maioria fá-lo a partir do telemóvel pessoal da rececionista, com conversas sobre infeções, medicação e exames guardadas num aparelho que sai porta fora às 18h30. Ninguém tem de deixar de usar o WhatsApp. Tem é de o usar como deve ser.

Por , fundador da Loominary · LinkedIn·

Um balão de conversa branco com um escudo ciano no interior
Se já sabe as regras e procura o sistema: o assistente de WhatsApp para clínicas da Loominary marca, confirma e remarca consultas no número da clínica, com contrato de tratamento de dados e os pacientes informados na primeira mensagem.

O que o RGPD diz sobre isto

Uma mensagem a dizer "queria marcar uma limpeza" é um dado pessoal como outro qualquer. Uma mensagem a dizer "o implante está a supurar, o que faço?" é um dado de saúde, e os dados de saúde são categoria especial no artigo 9.º do RGPD. A regra de partida é que não se tratam, salvo exceções, e a exceção que serve às clínicas é a prestação de cuidados de saúde por profissionais sujeitos a sigilo (n.º 2, alínea h)). Confirme com quem trata do RGPD na sua clínica, mas é esta a base que costuma aplicar-se.

A clínica é a responsável pelo tratamento. A Meta, ou qualquer fornecedor que ponha um sistema em cima do WhatsApp, é subcontratante, e o artigo 28.º exige um contrato escrito entre os dois. O paciente tem direito a saber que a clínica usa WhatsApp e para quê (artigo 13.º), o que na prática quer dizer uma frase na política de privacidade e outra na primeira mensagem. E o artigo 32.º pede medidas de segurança adequadas, o que é difícil de defender quando a segurança é o código PIN do telemóvel da Sandra.

Os três erros que vemos em quase todas as clínicas

  1. O número pessoal. A rececionista usa o WhatsApp dela. Quando sai da clínica, leva dois anos de conversas com pacientes, e a clínica não tem cópia de nada. Isto acontece muito mais do que se pensa.
  2. O WhatsApp normal em vez do Business. Sem contrato de subcontratação, sem forma de exportar, sem controlo de quem tem acesso. Se um paciente pedir os dados dele ao abrigo do artigo 15.º, a clínica vai andar a fazer capturas de ecrã.
  3. Guardar tudo para sempre. O RGPD pede um prazo de conservação. Uma conversa de 2021 sobre uma consulta que já aconteceu não tem razão para continuar num telemóvel em 2026.

WhatsApp normal, Business App ou API: qual serve a uma clínica

Para uma clínica com uma rececionista e pouco volume, o Business App chega. Assim que há duas pessoas a atender ou se quer automatizar, é a API.
WhatsApp normalWhatsApp Business AppWhatsApp Business API
Para quemPessoasPequenos negócios, uma pessoa a atenderEmpresas com vários atendedores ou automação
Número da clínicaNão, é o número da pessoaSimSim
Vários atendedores ao mesmo tempoNãoAté alguns aparelhos ligadosSim, sem limite prático
Contrato de subcontratação (art. 28.º)Não existeTermos genéricos da MetaSim, através do fornecedor que liga a API
Automação (confirmar, lembrar, marcar)NãoSó respostas rápidas e mensagem de ausênciaSim
CustoGratuitoGratuitoPago por conversa, à Meta ou ao fornecedor

A API tem duas regras que convém saber antes de escolher fornecedor. Primeira: a clínica só pode iniciar uma conversa com um modelo de mensagem aprovado pela Meta (um lembrete de consulta, por exemplo). Segunda: depois de o paciente responder, abre-se uma janela de 24 horas em que a clínica pode escrever livremente. Passadas as 24 horas, volta a precisar de um modelo. Não é um problema, mas explica porque é que o "olá, tudo bem?" às três semanas não sai.

Lembretes de consulta por WhatsApp: o que pode ir na mensagem

O lembrete é o uso mais comum do WhatsApp numa clínica e o que levanta mais dúvidas. Para lembrar uma consulta que o paciente marcou não é preciso consentimento de marketing, porque a base é a prestação dos cuidados que ele pediu. A atenção vai para o que se escreve.

  • Data, hora, morada e nome do médico chegam. O motivo clínico não tem de ir no texto: "consulta de avaliação" diz o necessário e não expõe nada a quem espreitar o ecrã do telemóvel.
  • Peça uma resposta. "A sua consulta é amanhã às 15h. Responda 1 para confirmar ou 2 para remarcar." Na API, o lembrete sai como modelo aprovado pela Meta, e a resposta do paciente abre a janela de 24 horas em que o sistema pode propor outro horário.
  • Quem responde 2 recebe logo uma alternativa concreta, com horários reais da agenda. Se a resposta for "ligue para a clínica", a vaga perde-se na mesma.

Isto conta na agenda. No guia sobre como reduzir as faltas às consultas fizemos a conta com pressupostos à vista: uma falta por dia, 22 dias de trabalho por mês e uma consulta de €40 dão €10.560 por ano. Troque pelos valores da sua clínica e veja o que dá.

Como automatizar sem ir contra o RGPD

Automatizar não é o problema. Um lembrete de consulta enviado por um sistema é mais seguro do que o mesmo lembrete escrito à mão num telemóvel pessoal. E, se pedir resposta ao paciente, é o que mais ajuda a reduzir as faltas às consultas. O que interessa é o desenho.

  1. Um número da clínica, nunca de uma pessoa. Se hoje o número é pessoal, a migração é chata mas faz-se: avisa-se os pacientes com um mês de antecedência e mantém-se o antigo com mensagem de ausência.
  2. Fornecedor que assine o contrato do artigo 28.º e aloje os dados na União Europeia. Se o fornecedor não souber do que está a falar quando pedir isto, já tem a resposta.
  3. Informar o paciente. Uma linha na política de privacidade e uma frase na primeira mensagem automática: "Esta conversa é gerida pela clínica X através de um sistema automático. Para falar com a receção, responda FALAR."
  4. Minimizar. O sistema que marca consultas não precisa de saber o motivo clínico em detalhe. "Consulta de avaliação" chega. Se o paciente escrever sintomas, a conversa passa para a equipa e o sistema não faz mais nada com isso.
  5. Prazo de conservação e apagar a sério. Defina um prazo (as conversas de marcação não precisam de viver mais do que o processo clínico exige) e garanta que o fornecedor apaga mesmo.
  6. Registo de atividades de tratamento. O WhatsApp entra na lista, com a finalidade, a base legal e o subcontratante. É uma linha num documento que a clínica já devia ter.

O que o agente da Loominary faz e o que não faz

O assistente de WhatsApp para clínicas da Loominary, um agente de IA à medida de cada clínica, usa a API do WhatsApp com o número da clínica. Marca, confirma e reagenda consultas, e responde a perguntas sobre horários, morada e seguros. A parte clínica fica com a equipa. A Loominary é subcontratante da clínica, com contrato de tratamento de dados, e os pacientes são informados na primeira mensagem de que estão a falar com um sistema automático. Os detalhes estão na nossa política de privacidade. Se a dúvida seguinte é o preço, fizemos a comparação entre uma rececionista virtual e uma rececionista a tempo inteiro.

Se a sua clínica ainda usa o número pessoal de alguém, a migração para um número da clínica é o passo com mais impacto e custa zero. Faça esse primeiro, antes de pensar em automação.

Perguntas frequentes

  • Posso usar o WhatsApp pessoal da rececionista para falar com pacientes?

    Pode, mas não devia. As conversas ficam num aparelho que não é da clínica, sem contrato de subcontratação com ninguém e sem forma de responder a um pedido de acesso do paciente. O mínimo é um número da clínica com o WhatsApp Business.

  • Preciso do consentimento do paciente para enviar lembretes de consulta por WhatsApp?

    Para lembrar uma consulta que o paciente marcou, a base legal é a execução do contrato de prestação de cuidados, não o consentimento. O paciente tem de ser informado de que a clínica usa WhatsApp. Para mensagens promocionais (campanhas, descontos), aí sim é preciso consentimento. Explicamos como isto se aplica a quem faz campanhas em clínicas de estética.

  • Qual é a diferença entre o WhatsApp Business App e a API?

    O Business App é gratuito e serve para uma pessoa atender a partir de um telemóvel da clínica. A API é paga por conversa, permite vários atendedores e automação (lembretes, confirmações, marcações), e é acedida através de um fornecedor que assina o contrato de subcontratação.

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